Recusa Otimista

Você sabe que precisa mudar algo na sua vida, certo? E por que não muda? Um dos principais motivos é porque muitos de nós vivemos através de um recurso que é a recusa otimista.

Você tem um emprego de 8 horas diárias, o salário não é bom nem ruim e existem alguns bons benefícios. Porém, o trabalho não tem nada a ver com você e tem dias que você simplesmente preferiria agarrar um leão a unha do que ir para o trabalho. Você já pensou em pedir demissão, olhou algumas vagas em outras empresa, desabafou com um amigo e pediu conselhos para um mentor. Mas nada acontece. E é aqui que entra a recusa otimista.

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A recusa otimista nada mais é que um medo disfarçado. Medo da ação. Medo da mudança. É recusar a ver algo que precisamos e devemos fazer. Usamos isso como uma desculpa e ficamos com aquela esperança de que as coisas irão melhorar e repetindo para si mesmo que o emprego ou o projeto que estamos envolvidos não é tão ruim assim. Podemos também comparar nosso emprego com o dos outros que estão em uma pior situação ou ainda entramos na onda de que com uma crise por ai é melhor se contentar com o que tem. Mas a pergunta é: Você está em situação melhor do que estava há um ano, há um mês ou há uma semana? Se não está, as coisas não vão melhorar sozinhas. Se você está tentando se enganar, esta é a hora de parar e se preparar para um salto.

Refletir e responder sobre algumas perguntas podem te ajudar a conseguir isso.

1 – Qual é o pior coisa que pode acontecer?

Se você quer mudar de emprego, abrir um negócio ou largar tudo e estudar fora do Brasil mas não tem coragem, imagine qual o pior cenário que poderia passar? Você iria sobreviver? Eu acredito que sim. Normalmente você terá que voltar a fazer coisas que não gostaria: como pedir seu emprego de volta ou recomeçar sua carreira profissional. Mas isso é um risco muito baixo perante a possibilidade de fazer algo realmente interessante e importante com sua vida.

2 – O que você poderia fazer a partir do pior?

Ok, o pior aconteceu. Você arriscou e se deu mal. Como você pode superar isso e recomeçar? Faça essa reflexão e verá que sempre existem meios de seguir adiante. Eu quando quis abrir minha primeira empresa tinha muito medo de não conseguir pagar as contas. Minha reflexão foi simples. Se não entrar dinheiro vou pedir dinheiro emprestado com alguém e voltar ao meu antigo emprego ou consigo algo na minha área. Pronto. Quando sabe o que fazer você fica mais tranquilo e seguro para tomar as decisões.

3 – Quais benefícios e sentimentos que você terá quando realizar aquilo que quer?

Pense nas coisas boas que irão ganhar realizando o seu sonho. Pense nos sentimentos positivos. E tenha certeza que se você realizar isso irá acontecer na sua vida. Um dos meu sonhos era largar tudo e fazer intercâmbio. Tinha um medo danado do que poderia acontecer em termos financeiros e profissionais. Quando acontecia isso pensava nos benefícios e no sentimento que iria trazer. E bingo! Quando tive a coragem de faze-lo, esses bons sentimentos vieram e os benefícios que imaginei aconteceram.

4 – Qual o preço (financeiro e emocional) de você adiar seus sonhos?

Não fazer aquilo que deveríamos fazer tem um preço e, às vezes, é alto. Ele pode ser em dinheiro. Você pode deixar de ganhar uma boa grana por não realizar aquele projeto que pode estar em seu ponto forte. Na maioria das vezes, quando fazemos algo que somos bons, a recompensa financeira vem. Pode demorar mais do que imaginamos, mas vem. O preço também pode ser emocional. Você pode tornar-se uma pessoa desmotivada, amarga ou conformada. E esse preço e algo que não temos como dimensionar. Pode ser um preço alto demais. Reflita o quanto adiar seus sonhos e metas podem estar te transformando em uma pessoa pior.

5 – Como você pode começar?

Sim, eu entendo que arriscar e fazer algo grande não é simples. Dá medo. Se você não consegue fazer tudo da noite para o dia, ou seja, virar a pá e fazer acontecer de uma só vez (eu indico você fazer isso dentro do possível e com um bom planejamento), pelo menos faço um plano para pequenos passos que podem te levar a realização. É melhor caminhar devagar do que não caminhar.

Evite usar a recusa otimista. Pois ela é uma espécie de anestésico que faz parecer que as coisas não estão tão ruins quando estão. Eu acredito sim que devemos ser otimistas, pensar para frente e nos motivarmos. Mas não quando isso for usado como uma desculpa para não enfrentar nossos medos e fazer algo de significativo das nossas vidas.

Ps: Esse artigo foi apresentado em forma de comentário no programa espaço empreendedor da Rádio Independente com apresentação de Rogério Wink. Ouça no link abaixo o programa completo:

www.independente.com.br/o-empreendedorismo-no-ramo-infantil